O QUE É: Frevo

Estamos em fevereiro, Carnaval se aproximando e o que resta ao bom pernambucano é cair na folia. Folia essa regada a muito Frevo. Junto com o Maracatu, é uma dança típica dessa época do ano. É no Frevo que os foliões gastam suas calorias e recarregam suas baterias para brincar todo o Carnaval. Ritmo originalmente pernambucano ao contrário da marchinha, o Frevo é caracterizado por sua rapidez tanto na musicalidade quanto na dança. Essa rapidez foi criada propositalmente, como as marchinhas eram muito lentas, alguns músicos (não se sabe bem quais) decidiram acelerar o ritmo e com o passar dos anos o Frevo se transformou nessa beleza de ritmo que conhecemos hoje.

Criado no início do século XX, no Recife e Olinda, o Frevo pode ser classificado como uma dança contemporânea, isso ocorre pelo fato do mesmo não só ter sido criado há pouco tempo como também está se reinventando a cada Carnaval. Ao contrário de outras danças, o Frevo não parou no tempo e a cada ano são acrescentados mais passos no seu arsenal de surpreendentes 120. Alguns passos são fáceis de aprender, porém para executar outros com um grau maior de dificuldade, o (a) passista precisa ter técnica, energia e muita experiência. Só a critério de exemplo, no Frevo existem passos como: dobradiça, parafuso, tesoura, locomotiva, etc.

Assim como as marchinhas, a capoeira teve grande influência para o Frevo. Estudos mostram que nos primeiros blocos de Frevo a comissão abre-alas era formada por capoeiristas que tinham como finalidade proteger o resto do bloco de outros blocos rivais. A quem diga que as mini sombrinhas hoje usadas para o equilíbrio dos dançarinos seja uma derivação das sombrinhas usadas na época como arma de defesa. No “Frevo primitivo” as brincadeiras dos blocos não eram tão engraçadas e saudáveis assim, mas isso aconteceu por pouco tempo. Logo os foliões perceberam que Frevo é alegria e não violência.

Do seu aparecimento até a década de 1930, o Frevo era de bloco. A partir dos anos 30, o Frevo se dividiu em três vertentes, o chamado Frevo de Rua (Frevo instrumental orquestrado, sem vocais), Frevo de Bloco (Frevo clássico, muito próximo das marchinhas carnavalescas, só que mais rápido) e o Frevo Canção (é o Frevo cantado e tocado ligeiro, como conhecemos hoje). Seja qual for o Frevo em questão, o importante é dançar e se divertir. Após 1930, o Frevo deixou de ser pernambucano para tomar conta de todos os carnavais do Brasil, influenciando sem sombra de dúvidas, alguns sambas paulistas e cariocas. E, tempo depois (lá pra as décadas de 60-70) o Frevo também é inspiração para Dodô e Osmar (os músicos baianos que inventaram o trio elétrico).

Em toda época do ano o Frevo se faz presente nas seculares ladeiras de Olinda, mas é na semana do Carnaval que o Frevo se alastra, contaminando assim não só os nativos da região como também os turistas vindos de várias partes do país e do mundo. Mais que uma dança o Frevo também é vida, faz bem para o coração, mente e bolso. Afinal, por trás do Frevo existe um mercado cultural bastante extenso. Com o Frevo, ganha o turista ao prestigiar este belo espetáculo, ganha o comércio local, ganha a população e ganha a cultura Pernambucana que é preservada. Nos dias de hoje é impossível não associar Carnaval de Pernambuco e Frevo.

O Frevo é dificuldade nos passos, porém é simplicidade na orquestra que acompanha os foliões, sendo formada por caixas, surdos e metais (instrumentos de sopro como trompete, saxofone, trombone, piston e etc). O Frevo é alegria até na origem da palavra que quer dizer “ferver”, o que naturalmente nos remete a substantivos como alegria, euforia, brincadeira, etc. Outra tese para a palavra Frevo é a de que, ao dançar os foliões pareciam que estavam pisando em brasas ferventes. Essa palavra (Frevo) hoje tão conhecida por nós foi usada pela primeira vez no jornal “Pequeno” pelo jornalista Oswaldo Oliveira em 12 de Fevereiro de 1907. Mas a denominação “Frevo” não foi criada por ele e sim, já vinha a algum tempo na boca do povo. Em 2007 a Prefeitura do Recife comemorou 100 anos de Frevo com grandiosa campanha e festas para o povo, só aumentando assim a retórica de que o Frevo é do povo e para o povo.

Marcilo Ramos (Jataúba-PE,1985) é Historiador e entusiasta da cultura pernambucana. Secretário cultural do C.A (Centro Acadêmico) Eduardo Galeano (UEPB). Faz parte do grupo de estudos Poesia na Escola e membro do cine clube história Eduardo Coutinho (UEPB).

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