O QUE É: Xaxado‏


A perpetuação da arte

O Xaxado é uma dança de origem pernambucana provinda do agreste e sertão, ou seja, das regiões de caatinga (mata branca), região de clima seco e vegetação espinhenta. Foi criada pelos cangaceiros e tinha como finalidade comemorar a batalha ganha. Sempre que o bando se reunia após a vitória havia muita festa e fartura de comida e bebida. Há relatos históricos que tal dança fora criada pelos cangaceiros de Lampião nos anos 20, mas precisamente em após 1920, em Serra Talhada (na época, chamada de Vila Bela), porém há também quem diga que o Xaxado foi criado por cangaceiros de outros bandos. Portanto, mas antigo. Um fato curioso é que no período em que o Xaxado surgiu ainda não havia mulheres acompanhando os bandos, ou seja, o Xaxado era uma dança tipicamente masculina, só com o ingresso de mulheres nos bandos é que as mulheres (cangaceiras) puderam dançar. Antes das cangaceiras, os cangaceiros se viravam como podiam; dançavam com suas próprias armas e/ou até com outros cangaceiros.

O nome Xaxado é proveniente do barulho que as sandálias de couro dos cangaceiros fazia ao entrar em atrito com o chão seco, esse barulho era parecido com “xá-xá, xá-xá”. Como era uma dança de guerra, o Xaxado glorifica seus “heróis” mortos em batalhas, xingava o poder público vigente da época, jurava de morte os “Macacos” (policiais, volantes) e enaltecia as vitórias do bando. As letras tinham um caráter satírico e zombador. Quem puxava as cantigas e comandava a dança era o cangaceiro chefe. Geralmente a dança era realizada sem o auxilio de nenhum instrumento, quem marcava o ritmo eram os pés em contato com o chão de terra batida e as mãos juntando-se em palmas umas com as outras. O passo principal era o avanço do pé direito em dois, três ou quatro movimentos laterais (dependendo da velocidade da marcação) enquanto o esquerdo era arrastado servindo de base, a formação era em fila indiana, tal qual um batalhão de guerra, e, os movimentos das mãos e braços também lembravam investidas bélicas, tudo isso em coreografias de movimentos quase que simétricos, porém firmes e sem muito exagero.


Os Cangaceiros (como tudo começou)

Durante muito tempo o Xaxado foi visto como dança (literalmente) marginal, não sendo aceita pela sociedade local. A campanha do governo em discriminar os cangaceiros durante décadas também influenciou para essa visão deturpada da dança em nosso imaginário. Não estou aqui para julgar o governo da época nem muito menos o cangaço, só estou tentando explicar que o Xaxado começou sim, pelos cangaceiros, mas pode ser dançada por qualquer pessoa. Muitos relacionam o Xaxado com o clima junino, mas a dança pode ser dançada a qualquer época do ano, assim como o Forró e o Baião, o Xaxado também não é restrito só ao São João.

As As letras eram criadas pelos próprios cangaceiros. O Xaxado também era praticado em momentos de descanso e lazer. Há ainda hoje vários hinos conhecidos provenientes do Xaxado; alguns deles são: Acorda Maria Bonita, Olha a Pisada, Cavalos do Cão, Mulher Rendeira, Perseguição, Sertão vai virar Mar, Lampião Falou e outras tantas mais. As músicas do Xaxado são conhecidas hoje graças a um tal de Luiz Gonzaga, pois, foi Gonzagão que conseguiu o que nenhum artista até então tinha conseguido. Colocar as músicas do cangaço outrora cantadas só por cangaceiros para tocar nas rádios e teatros brasileiros. Isso foi um marco na indústria fonografia da época e graças ao respaldo, carisma e respeito que Luiz Gonzaga tinha com os “sulistas”, o Brasil todo não só ficou conhecendo como também canta até hoje as músicas do Cangaço.

E como tudo está se moldando e a todo tempo se ressignificando, com o Xaxado não seria diferente. A dança ganhou outro sentido, hoje não é mais praticada por cangaceiros (as) e nem em louvor de alguma batalha ganha, mas sim, por dançarinos (as) que celebram a vida de perpetuar uma dança tão peculiar do nosso folclore pernambucano.

Marcilo Ramos (Jataúba-PE,1985) é Historiador e entusiasta da cultura pernambucana. Secretário cultural do C.A (Centro Acadêmico) Eduardo Galeano (UEPB). Faz parte do grupo de estudos Poesia na Escola e membro do cine clube história Eduardo Coutinho (UEPB).

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